Queremos mais mulheres na tecnologia já!

Quem acredita que tecnologia é coisa de menino desconhece a história da programação. Ada Lovelace foi a fundadora da computação científica, no século 18. Durante a 2ª Guerra Mundial, cinco mulheres foram responsáveis por escrever instruções para o primeiro computador programável totalmente eletrônico do mundo. Em 1974, no bacharelado em ciência da computação do IME (Instituto de Matemática e Estatística) da USP, as mulheres representavam 70% da turma.

Hoje em dia, entretanto, existem poucas meninas atraídas por cursos de engenharia e computação. As que ingressam nos cursos e resistem, enfrentam uma realidade desigual no mercado de trabalho.

Falando em números
Conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE, só 20% dos profissionais que atuam no mercado de TI são mulheres. E a raiz do problema não está atrelada ao grau de educação. Segundo o IBGE, as profissionais de TI do sexo feminino têm grau de instrução mais elevado do que os homens do setor no Brasil, mas, mesmo assim, ganham 34% menos do que eles.

O site de recrutamento Catho divulgou uma pesquisa em colaboração com a UPWIT, sobre as condições de trabalho de mulheres na área de tecnologia. De acordo com o levantamento, realizado com mais de 1.000 profissionais do setor entre janeiro e fevereiro de 2018 (632 homens e 396 mulheres), mais da metade das mulheres da área (51%) disseram já ter sofrido discriminação em seu ambiente de trabalho por causa de gênero.

Dados da ONU Mulheres Brasil, revelam que as mulheres estão fora dos principais postos de trabalho gerados pela revolução digital, sendo que somente 18% delas têm graduação em Ciências da Computação e são, atualmente, apenas 25% da força de trabalho da indústria digital.

“Setenta e quatro por cento das meninas expressam interesse no campo da ciência, tecnologia, matemática e engenharia. Mas o fato é que apenas 30% das pesquisadoras do mundo são mulheres”, afirma Adriana Carvalho, gerente dos Princípios de Empoderamento Econômico da ONU Mulheres Brasil.

Vamos criar mulheres para a tecnologia
Segundo Maria Klawe, presidente do Harvey Mudd College, os três motivos que as próprias mulheres alegam para não entrarem no mercado de tecnologia são: falta de interesse, não acreditarem ser boas em tecnologia e não acharem que irão trabalhar com pessoas com as quais se sentiriam confortáveis ou felizes.

Essa falta de interesse vem de berço. Desde pequenas somos criadas para brincar com bonecas enquanto os meninos brincam com videogames e computadores. Essa divisão, considerada natural por muitos, reflete estereótipos de gênero construídos historicamente, que delegam às garotas, desde cedo, tarefas e interesses relacionados à esfera do cuidado e ao âmbito privado.

Em uma sociedade cada vez mais tecnológica, formar meninas programadoras e inseri-las no mercado de trabalho é importante para combater a desigualdade de gênero. Além disso, quanto mais diversas forem as equipes nas empresas, mais completas serão as soluções criadas. Por isso, surgiram muitos projetos para atrair meninas para a área e melhorar as condições de trabalho das programadoras.

Para ajudar a encontrar a iniciativa mais perto de você, fizemos uma listagem colaborativa dos movimentos de mulheres na tecnologia pelo país, que você pode acessar aqui. A mudança é gradual, lenta e árdua, e precisa de incentivos de todos os lados para que possa fazer uma diferença real na vida de milhares de mulheres e para que gere uma transformação verdadeira no campo da computação. Vamos juntas?

*Camila Achutti é CTO e fundadora do Mastertech, professora do Insper e idealizadora do Mulheres na Computação

 

Fonte: Epoca Negócios 

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